quarta-feira, 25 de dezembro de 2013

E qual é o "x" da questão: Natal pra que te quero?!

Depois de quase um ano sem dar às caras por aqui, resolvi postar uma reflexão sobre o natal. A inspiração nasceu depois da comilança da ceia e da enxurradas de felicitaciones partilhadas aqui e acolá. Não sou contra momentos festivos e acredito que muitas pessoas realmente adotam a data para uma reflexão espiritual sobre a vida e suas ações e planejam que elas tenham de fato efeito ao longo dos outros dias do ano.
Não vou falar aqui sobre a utilidade da data para a mola da economia, essa impulsividade para a compra, a urgência em presentar as pessoas próximas (ou nem tanto assim), comprar, comprar, comprar e a necessidade de estar bem vestido, bonito e sempre feliz.
Também minha reflexão não pretende discutir o voluntariado que aflora nesses dias, às ações que ironicamente presenteiam as crianças das favelas e os moradores de rua para daqui há alguns dias os expulsarem das praias ou de qualquer outro lugar em que eles incomodem pela simples presença. Meu texto não pretende tratar dessa esquizofrenia hipócrita nossa de todos os dias.
O objetivo também não é falar do processo de subjetivação que nos apresentam desde criança a figura de um senhor de barba, vestido com uma roupa pesada vermelha, andando num treno sobre a neve, entrando pelas chaminés das lareiras em noites com neve e frio.  Por sorte a gente não se engana mais com essas representações e nem as reproduzimos (ou sim?!?). Até porque, com todo esse calor de dezembro..., puts, nossos problemas são mesmo com as chuvas torrenciais... E aí, por acaso esse tal velhinho anda de barco?!?
Também não gostaria de falar sobre a data em si: 25 de dezembro. Sabemos que este dia, entre outras coisas, era destinado à comemoração do nascimento anual do deus Sol no solstício de inverno, que passa a ser adaptado a partir do século três d.C. pela igreja católica como uma forma de atrair os povos “pagãos” dominados pelo Império Romano às novas formas de adoração. Foi desde então que a data passou a representar o nascimento de uma outra figura importante, Jesus. Deixando de ser uma data “pagã” para ser “sacra”. Se bem que hoje já nem discutimos o que representou incorporar tal dia no calendário cristão para a igreja católica no sentido de propagação dessa religiosidade. Funcionou?! Então está valendo.
E tampouco nos preocupam os dados geográficos e meteorológicos que afirmam que o mês judaico de Kislev (correspondente ao final de novembro até meados de dezembro no nosso calendário) é um período frio e chuvoso na possível localidade do nascimento de Jesus. É difícil pensar que num período assim teríamos a presença dos “pastores nos campos cuidando das ovelhas” ou mesmo a longa jornada dos “reis magos” guiados por uma estrela no céu, carregados com presentes.
...
Enfim, meu texto não é sobre as coisas que já sabemos. Toda essa divagação parte e termina numa questão: Por que ainda continuamos coletivamente reproduzindo o natal e suas representações sem ao menos nos perguntar por suas origens ou significados? Por que essa “verdade” tanto nos satisfaz? Esta aí o "x" da questão...

Talvez algo nisso tudo me pareça verdadeiro: a vontade que temos em (com)partilhar coisas boas com os que estão a nossa volta! E se assim o for, parafraseando um amigo, “aproveito para deixar o meu desejo de uma sociedade mais consciente, mais igualitária”, mais livre e que estes sentimentos que hoje muitos professam possam “ser presentes nos outros 364 dias do ano”!

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Do dia: "Pipoco no céu, nem sempre é festa"

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segunda-feira, 14 de janeiro de 2013

A coisa mais transgressora do mundo!


Do Blog das Perguntas...

“Há um cara que eu conheço que disse: não termino de ler um livro há quatro anos. Ele estava sorrindo. Porque o mundo ficou rápido pra cacete e ele adora isso. Ele adora saber 140 caracteres sobre as coisas. Ele adora aderir a uma causa de 5 minutos. E outro dia, em um programa de rádio sobre cinema, uma convidada confessava que não estava assistindo a muitos filmes, apenas a séries televisivas, pois ultimamente achava difícil se concentrar durante uma hora e meia. Uma hora e meia! Nesses momentos, fico pensando que talvez a literatura seja a coisa mais transgressora do mundo contemporâneo (já que até o rock se limpou e se coloriu); você pega um livro para ler e essa atitude é um dedo médio levantado para a rapidez de tudo o que acontece à sua volta. Soma-se a isso o fato de que são apenas linhas e linhas de palavras, uma depois da outra. Em um mundo sobrecarregado de imagens, eu diria que sentar na sua poltrona e abrir um romance é algo semelhante a uma e
xperiência psicodélica.”
De Carol Bensimon (A maior das transgressões)

sábado, 29 de dezembro de 2012

Todos prontos?!? Então boraaa

2013 vem aee.. e longe de repetir as previsões para um ano novo de novo aqui, quero apenas agradecer...

Obrigado aos amigos e irmãos camaradas que aqui estiveram por mais uma ano lendo meus devaneios, percalços e reflexões: Um abração a todos!

Posso dizer que acima de tudo esse ano foi de muita superação, foi um ano em que praticamente aprendi a andar novamente ... heheh E quem diria, estou até jogando futebol já... perna de pau como poucos, diga-se de passagem, até porque algumas coisas levam mais tempo para serem mudadas! ehehe

Mas enfim, são por esses episódios de superação que a vida às vezes nos apresenta que acabei aceitando embarcar numa viagem até o Jalapão nessas férias. E tem sido uma experiência fantástica, certamente um dos lugares mais diferentes em que já estive... O norte do Brasil é impressionante! Aproveitei pra dar bons tchibuns nos rios e cachoeiras que encontrei pelo caminho, lavar a alma e abrir os caminhos para as novas experiências que certamente virão... pois "enquanto há vida, há possibilidade!"

No mais desejo a todos muita diversão e aventuras e um 2013 recheado de coisas boas... 
Nos vemos em breve!


Em tempo: Ju e Eli a companhia de vocês nessa jornada pelo norte do país está me trazendo recordações mil da nossa vida em Córdoba... Amo vcs!

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terça-feira, 11 de dezembro de 2012

terça-feira, 13 de novembro de 2012

Poeme-se várias vezes ao dia!



Nessa pedra alguem sentou para ver o mar
Mas o mar não parou para ser olhado
E foi mar pra todo lado.
Paulo Leminski

quarta-feira, 7 de novembro de 2012

Exercite seu lado voyeur: Cartas Pornográficas

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Em tempos de internet e comunicação "real time" ao alcance de (quase!) todos é difícil imaginar uma época em que os amantes trocavam cartas entre si para falar sobre suas emoções, expectativas e até dos desejos mais íntimos. 
O vídeo a seguir nos remete a essa época... 

A pedido de Bravo o ator Caco Ciocler lê uma carta trocada entre o escritor irlandês James Joyce a sua mulher Nora Barnacle. A correspondência é uma das tantas que integram a coletânea que será publicada esse mês sob o título Cartas a Nora.
Com um tom pouco erudito e, muitas vezes, vulgar as cartas mostram uma outra faceta do escritor.

Tire as crianças da sala e aperte o play...

Cartas pornográficas de James Joyce por Caco Ciocler from Bravo! online on Vimeo.


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domingo, 28 de outubro de 2012

Para um amigo: com açúcar, com afeto!

7 vezes 9, blog querido!

Venho aqui te dizer que "es muy" especial para mim!

Confesso que quando te conheci não imaginava que nossa relação ia ser tão próxima e tão duradoura. 
Já faz alguns anos que venho aqui insistentemente te contar sobre minha vida, meu cotidiano e algumas ideias que carrego comigo. Na verdade quero te pedir desculpas por às vezes sumir por algum tempo e não dar notícias, mais meu compa você sabe que a vida é cheia de tantas coisas e que "o tempo", ahh o tempo... esse voa...

Que bom que sempre que preciso você está aqui... (graças ao google?!?, pois bem... heheh
Mas enfim, vim mesmo te dizer que estava com saudades e que não me esqueço de você...
Meus dias têm sido alternados entre o fechamento da pesquisa para o mestrado, fisioterapia e reaprender  andar depois da saga do acidente que você acompanhou de pertinho... e esses afazeres tem me tomado quase todo o tempo!!! A outra parte tiro pra curtir um pouco outras coisas, até porque ou vir dizer que "ninguém" é de ferro, mas eu ainda sou de carne e osso! 
Aproveito e deixo aqui especialmente para você uma canção interpretada por Fernanda Takai - "Com açúcar  com afeto" - letra do grande Chico Buarque e gravada pela primeira vez pela Nara Leão.. A versão da Fernanda deu um outro sentido a canção, espero que não seja tão exigente com a moça... Espero que goste!


No mais, um até logo!

Arnaldo.

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sábado, 29 de setembro de 2012

terça-feira, 11 de setembro de 2012

Viva Salvador Allende!

Neste 11 de setembro de 2012 aproveito para recordar de um grande homem, líder chileno, Salvador Allende!

Viva el pueblo! Viva os trabalhadores! Viva Salvador Allende!




"Seguramente, esta será a última oportunidade em que poderei dirigir-me a vocês. A Força Aérea bombardeou as antenas da Rádio Magallanes. Minhas palavras não têm am
argura, mas decepção. Que sejam elas um castigo moral para quem traiu seu juramento: soldados do Chile, comandantes-em-chefe titulares, o almirante Merino, que se autodesignou comandante da Armada, e o senhor Mendoza, general rastejante que ainda ontem manifestara sua fidelidade e lealdade ao Governo, e que também se autodenominou diretor geral dos carabineros.


Diante destes fatos só me cabe dizer aos trabalhadores: Não vou renunciar! Colocado numa encruzilhada histórica, pagarei com minha vida a lealdade ao povo. E lhes digo que tenho a certeza de que a semente que entregamos à consciência digna de milhares e milhares de chilenos, não poderá ser ceifada definitivamente. [Eles] têm a força, poderão nos avassalar, mas não se detém os processos sociais nem com o crime nem com a força. A história é nossa e a fazem os povos.



Trabalhadores de minha Pátria: quero agradecer-lhes a lealdade que sempre tiveram, a confiança que depositaram em um homem que foi apenas intérprete de grandes anseios de justiça, que empenhou sua palavra em que respeitaria a Constituição e a lei, e assim o fez.



Neste momento definitivo, o último em que eu poderei dirigir-me a vocês, quero que aproveitem a lição: o capital estrangeiro, o imperialismo, unidos à reação criaram o clima para que as Forças Armadas rompessem sua tradição, que lhes ensinara o general Schneider e reafirmara o comandante Araya, vítimas do mesmo setor social que hoje estará esperando com as mãos livres, reconquistar o poder para seguir defendendo seus lucros e seus privilégios.



Dirijo-me a vocês, sobretudo à mulher simples de nossa terra, à camponesa que nos acreditou, à mãe que soube de nossa preocupação com as crianças. Dirijo-me aos profissionais da Pátria, aos profissionais patriotas que continuaram trabalhando contra a sedição auspiciada pelas associações profissionais, associações classistas que também defenderam os lucros de uma sociedade capitalista. Dirijo-me à juventude, àqueles que cantaram e deram sua alegria e seu espírito de luta.



Dirijo-me ao homem do Chile, ao operário, ao camponês, ao intelectual, àqueles que serão perseguidos, porque em nosso país o fascismo está há tempos presente; nos atentados terroristas, explodindo as pontes, cortando as vias férreas, destruindo os oleodutos e os gasodutos, frente ao silêncio daqueles que tinham a obrigação de agir. Estavam comprometidos. A historia os julgará.



Seguramente a Rádio Magallanes será calada e o metal tranqüilo de minha voz não chegará mais a vocês. Não importa. Vocês continuarão a ouvi-la. Sempre estarei junto a vocês. Pelo menos minha lembrança será a de um homem digno que foi leal à Pátria. O povo deve defender-se, mas não se sacrificar. O povo não deve se deixar arrasar nem tranqüilizar, mas tampouco pode humilhar-se.



Trabalhadores de minha Pátria, tenho fé no Chile e seu destino. Superarão outros homens este momento cinzento e amargo em que a traição pretende impor-se. Saibam que, antes do que se pensa, de novo se abrirão as grandes alamedas por onde passará o homem livre, para construir uma sociedade melhor.



Viva o Chile! Viva o povo! Viva os trabalhadores! Estas são minhas últimas palavras e tenho a certeza de que meu sacrifício não será em vão. Tenho a certeza de que, pelo menos, será uma lição moral que castigará a perfídia, a covardia e a traição."


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quarta-feira, 5 de setembro de 2012

Pelo direito de ir, vir e sassaricar

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Encontrei uma amiga outro dia no supermercado e ela me disse: "acompanhei sua saga pelo blog, mas e como foi a cirurgia, conta lá!"

Eis me aqui... 
Depois de toda história relatada nos posts anteriores posso dizer que sobrevivi e, talvez, ainda terei muitas histórias pra contar e algumas aventuras, tanto ou mais frustantes como as vividas pelos corredores do HGCR.
Minha cirurgia foi realizada no dia 28 de agosto e foi um sucesso!
Recebi alta já no dia seguinte e desde então estou em casa me recuperando. 
O tempo total até voltar as atividades cotidianas é aproximadamente três meses.

Mas como não sou muito de ficar em casa resolvi dar uma banda por aí... Peguei as muletas que me acompanham e cai no mundo... 
Agora o que na minha cabeça seria um simples rolezim acabou tornando-se uma viacrucis.
E por aí fui comprovando que o mundo não está preparado para aquilo que é diferente... E como é difícil ser o mais alto, o mais baixo, o mais gordo, o "aleijado", enfim... Tudo aquilo que foge ao padrão pré-estabelecido por "sei lá quem", desconfio, mas essa é outra conversa! 

No trajeto até o supermercado, tive que enfrentar calçadas esburacadas, sem rebaixamento e com altos desníveis. Se todo esses obstáculos já pareciam quase intransponíveis para mim que conto com uma perna e duas muletas, imagine para um cadeirante?!? Tem que ser acima de tudo guerreiro...

E infelizmente esses são fatos que passam despercebidos para a maioria das pessoas. Alguns até se solidarizam, mas poucos tem realmente a consciência sobre eles. E ter consciência de que algo tem que ser feito e que é preciso um grande BASTA são os primeiros passos para cobrarmos melhorias ao poder público. É preciso antes reconhecer tal realidade para lutar por sua superação.
E olha que aqui elencamos apenas as diferenças físicas, sem mencionar as diferenças de gênero, orientações sexuais, credo, etc etc etc, que também são  ignoradas e tratadas muitas vezes como "defeitos que precisam ser corrigidos ou extirpados do meio da sociedade de bem". E enquanto isso vamos agindo como se tudo tivesse bom, pulando os buracos e tapando o sol com a peneira, peraí cara pálida, isso tudo tem a ver contigo! 

Quer outro exemplo, Pizzaria Pharma na rua Lauro Linhares, conhecido pela qualidade do rodízio e tradicional point no bairro da Trindade. Lá estava eu tentando subir (cai-não-cai) os 5 degraus da entrada quando o garçom vira pra mim e diz: "nossa cuidado pra não cair!" E eu em alto e bom som: "Cair?!? Cadê a rampaaaa, p@#5$#&¨*&¨##$%!?!?!" 
E agora me pergunto: "Quantas vezes fui a essa mesma pizzaria e nunca havia sentido a ausência de uma rampa?!?!?"
E você sente falta dela??!


E exemplos não faltam...
Temos aos montes por aí!



Não acredito que seja necessário que todos andemos de cadeiras de rodas ou de muletas por aí para saber que algo precisa ser feito... Talvez o que necessitamos urgentemente é olhar um pouco para além do nosso umbigo e da nossa individualidade e conduzir olhares para o lado, para cima e para baixo a fim de perceber que somos mais parecidos do que imaginamos. 
Respeito à diversidade se faz com ação efetiva, com políticas públicas de inclusão que permitam que todos, mesmo sendo diferentes, possam desenvolver suas capacidades em "pés" de igualdade.

Pelo visto temos muito trabalho pela frente, então que tal começarmos já?!?

A partir de hoje me esforçarei para não frequentar qualquer estabelecimento que não tenha acesso para pessoas com necessidades especiais (sejam essas necessidades quais forem!)
BOICOTE JÁ! TOPAXX??!?

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domingo, 2 de setembro de 2012

terça-feira, 28 de agosto de 2012

Notícias de Corredor - parte 7 - FINAL?!?

Enfim, eis o dia!

Há 28 dias atrás dei entrada na emergência do Hospital Governador Celso Ramos com uma fratura no pé esquerdo. Ao receber a notícia que teria que realizar uma cirurgia não imaginava que o tempo de espera seria tão longo, nunca havia sido internado em um hospital ou dependido dos serviços de saúde para além das consultas de rotina. 

Achava que conhecia o SUS, seus princípios e toda a normativa disposta na Lei 8080/90, mas descobri que essa é apenas uma parte do todo!

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A "maca" feita com cadeiras na qual passei 5 dias (dos 28) internados!

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Do lado de cá descobri que a aplicação de todos os princípios, normativas e resoluções ainda está longe de materializar-se num serviço de qualidade e efetivamente universal!
Neste período de internação fiz amizades, conversei com funcionários, outros pacientes e certamente vou sair daqui um cara diferente! 
E não falo apenas pelos parafusos e pinos que agregarei a minha pessoa de hoje em diante! heheh
Também não acredito que para sermos melhores devemos passar por alguma provação, dificuldade ou algo do gênero... Não sou adepto da máxima "o sofrimento ensina!" 
Longe disso, mas acredito que algumas situações nos deixam mais humanos... sejam elas boas ou ruins!
E as experiências que vivi aqui nestes corredores me mostraram que alguma coisa precisa ser feita, não é apenas na área da saúde, mas na educação, no sistema penitenciário, no acesso a justiça e em tantas outras... 
Depois da cirurgia e voltando amanhã pra casa a minha situação está resolvida, mas e das outras tantas pessoas que se encontram aqui esperando pela sua vez, por dias... semanas e meses?! Esses Jãos, Paulos, Adalbertos, Tadeus, Letícias e tantos outros?! Até quando?!

É no mínimo revoltante!

Por hora posso apenas dizer que seguirei publicando as imagens e fatos que presenciei aqui e buscando unir forças para de fato construirmos uma outra sociedade!

Por hoje a foto é em agradecimento ao Thiagueira, peça importante nesse caminhar... Ela foi tirada num momento, digamos, de relax... (Acho que nem você sabia dessa!!! heheh)


Aproveito para agradecer ao muitos votos de solidariedade que recebi dos amigos (os próximos e os de longe), dos colegas e dos meus familiares... Vocês foram de suma importância neste momento.

Um agradecimento especial à amiga Danuza, pelas comidinhas que surgiam sei lá de onde... heheh
Ela foi a visita mais presente e insistente (heheh), comprovei que o apoio dos amigos durante as visitas é o que fortalece a espera, o que mantém o vínculo com o espaço externo do hospital, que traz as novidades... No início é mais fácil, mas com o tempo as visitas insistentes é que nos mantém a sanidade em meio ao caos...

E por fim, ao Thiago, companheiro de altas aventuras... Cara seria impossível tentar retribuir tudo o que tu fez por mim nesses dias...Você  desempenhou muito bem o papel do acompanhante (de luxo, diga-se de passagem heheh)...
Com uma estrutura deficitária no quadro de funcionários, o acompanhante é o que dá o tom da "humanização" ao período de internação, é o "lobby" junto aos médicos, é o auxílio para os cuidados mais diversos no cotidiano. É aquela pessoa que se interna junto com o doente, acompanhando em condições ainda piores (numa cadeira, muitas vezes de plástico, dormindo sentado ao lado da maca, etc.) toda a evolução da internação e por isso acaba sendo o sujeito que vivencia o processo de forma mais próxima... Se por um lado sua presença é fundamental, por outro acaba por "tapar" alguns buracos do sistema, uma relação contraditória, cheia de bônus e ônus...
Mas para além das reflexões, valeu Feioso! Sua companhia foi ímpar, tornando o processo muito mais suportável! 

No mais meu obrigado de coração a tod@s!
Espero encontrar tod@s vocês em breve numa rodada de chorops ou num rodízio de pizza!

Vou ali fazer uma cirurgia e já volto...

sábado, 25 de agosto de 2012

Entre lá e cá


“Vovô ganhou mais um dia. Sentado na copa, de pijama e chinelas, enrola o primeiro cigarro e espera o gostoso café com leite.
Lili, matinal como um passarinho, também espera o café com leite.
Tal e qual vovô.
Pois só as crianças e os velhos conhecem a volúpia de viver dia a dia, hora a hora, e suas esperas e desejos nunca se estendem além de cinco minutos…”
Viver de Mario Quintana

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quarta-feira, 22 de agosto de 2012

Notícias de Corredor - parte 6


Já faz alguns dias que não publico notícias da vida deste lado da internação, hoje completando 23 dias.

Desde o último post algumas coisas mudaram: agora tenho uma vaga num leito e uma cama ao invés de uma maca, assim divido o quarto com mais três outros antigos companheiros de corredor ao invés de com todos os pacientes que entravam na emergência do hospital. Resultado das imagens vinculadas na tv?!? Quem sabe...
Pena que as mudanças acabam por aí.




Posso dizer que depois de acionar todos os órgãos responsáveis pela fiscalização da saúde aqui no estado de Santa Catarina (Secretarias de Saúde, Ouvidorias do estado, Ministério Público, Defensoria Pública, entre outros) não obtive nenhuma resposta mais enfática sobre a situação que eu e boa parte dos pacientes enfrentamos aqui no Hospital Celso Ramos.

O MP aliás foi o único órgão que, até o momento, me contatou em resposta. Por telefone a procuradora responsável pelo caso disse que junto com o meu haviam dezenas de outros pedidos de intervenção e que em tempo hábil todos seriam encaminhados para a Secretaria de Saúde para providências.

E o “tempo hábil” qual é?

Nesses momentos é como se a areia da ampulheta não fosse a mesma para medir o passar das horas e aí temos o tempo do judiciário, o tempo dos políticos, o tempo da efetivação das políticas públicas, o tempo das instituições, o tempo de espera pelos serviços públicos básicos, o tempo do... o tempo... tempo.

E claro, essa infinidade de tempos ainda estão condicionados à variação imposta pela condição social do sujeito e as formas que ele dispõe para acessar os mesmos serviços. É tanto assim que aqui nos corredores muitos dos pacientes interpretam toda a situação como algo normal, em que a única solução que se tem é agradecer o atendimento e esperar que ele ocorra no tempo que virá, e que este pode ser o tempo de “quando-deus-quiser” ou “quando-o-doutor-achar-que-tem-que-ser”, enfim um tempo qualquer.



Não interprete meu relato como sendo de todo pessimista, isso não é verdade! Até porque nesses mesmos corredores vi situações de superação, de luta por melhores condições de trabalho, por defesa dos direitos universais preconizados pelo SUS e muita indignação diante da espera e do não!
E essa insatisfação está em toda parte seja partindo dos usuários da política como por parte dos técnicos. Muitas vezes o que precisa ser explicitado são os caminhos para canalizar tais forças dispersas, e aqui poderíamos estender nossas reflexões para como construir esses canais e aglutinar essas reclamações potencializando-as em ações efetivas para a alteração daquilo que está posto, mas vou ficando por aqui...

Antes gostaria apenas de comentar a foto que acompanha esta publicação. Ela foi tirada na única sala de gesso que existe aqui no Hospital Celso Ramos. Em outras palavras, essa é a sala de gesso do hospital referência do estado, um local insalubre, com pouca ventilação e que ainda deve atender todos os casos do hospital... 


Vamos falar em qualidade de serviço e humanização no atendimento?!
Pois é, explicar o porquê a gente até consegue, agora aceitar a situação é que são elas...  




A história, afinal de contas, somos nós mesmos
e o que nossas parcas virtudes
 puderem fazer de nossos destinos incertos.
Nossa responsabilidade é intransferível.
Melhor elaborarmos bem nossas convicções.
Luis Eduardo Soares


sexta-feira, 17 de agosto de 2012

"Chego no fim do caminho nem que vá à pé"

Olhei pros meus companheiros do lado e soltei: 

Mas quem disse que aqui no hospital não podemos fazer uma baladenha sexta-feira a noite?!?! hein?!?! 
Boraaa agitaaa galeraaaa!!!


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cri cri, cri cri

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ZZzzzzZZZzzz zzZZ Zzzz zz

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Acho que a dipirona de hoje não bateu legal!

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quinta-feira, 16 de agosto de 2012

Notícias de Corredor - parte 5


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A mídia como formadora de opinião tem um papel fundamental na construção da sociedade na qual vivemos. Juntamente com outras instituições como a família, a religião, a escola e outras, desempenha um papel ideológico que pode ser direcionado para manutenção ou combate ao status quo vigente. 

Também sabemos que este movimento não é linear e nem um processo que pode ser tomado como natural, que se realiza sem resistência, no qual apenas somos levados como que a deriva. Muito pelo contrário, podemos modificá-lo, intervir criticamente e tomá-lo vez por outra “de assalto”.

Como diz um ilustre amigo Tadeu: “A gente pode ver e ouvir muita coisa, porém temos a obrigação de duvidar de muito”.

Então a palavra da vez é questionar!

E é com estas ideias na cachola que convido vocês para assistir o vídeo a seguir, produzido pela empresa RBS de Televisão (afiliada da Rede Globo aqui em SC) sobre a situação do Hospital Governador Celso Ramos no qual estou internado há 16 dias.

PARA ACESSAR CLIQUE >>>AQUI<<< 

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As imagens apresentadas ilustram um pouco do vivenciado aqui pelos corredores da Emergência do hospital e sua lógica. Porém, a edição obedece a um rigoroso critério que faz com que as principais denúncias se esvaziem e percam o sentido, ficando a pergunta: “Mas e ae, a responsabilidade é de quem?! O que fazer com tudo isso?!”.

Talvez a cara do representante do governo buscando argumentos para explicar o inexplicável e do próprio apresentador no final da reportagem sejam os indícios mais emblemáticas para traduzir o vazio à pergunta que fica latejando na cabeça: 
"E agora, José?!".


Não acredito na mudança por essa via, antes penso que, neste caso, a mídia seja apenas um instrumento, limitado por sinal, para publicizar questões que se camuflam no nosso dia a dia, para a qual muitas vezes o cotidiano não nos permite olhar.

E mesmo com todas as limitações midiáticas fico muito feliz que mais pessoas possam “olhar” para cá, tomar conhecimento do que ocorre nos corredores desse hospital e ver que para uma alteração na correlação de forças não basta apenas pagarmos nossos impostos, mas exigir e fiscalizar a sua utilização!
Não existe fórmula pronta, infelizmente também não tenho a receita – se é que ela existe! –, mas suspeito que o caminho passe necessariamente pela educação, de preferência radicalmente crítica.



"Que eu me organizando posso desorganizar
Que eu desorganizando posso me organizar..."


Rebele-se!

quarta-feira, 15 de agosto de 2012

Notícias de Corredor - parte 4

A saga continua... hoje completando 15 dias de internação!

E neste post aproveito para divulgar uma foto dos "meus aposentos e da galera" internada aqui no Hospital Governador Celso Ramos.
Como vocês podem ver o corredor é um lugar bem arejado, iluminado e como todo coração de mãe, sempre cabe mais um!!!



A "luz no fim do túnel" que pode ser vista na imagem, na verdade é a porta de entrada da emergência pela qual você é chamado para consultar após, em média, 4 horas de espera. A maioria dos que aqui estão são pacientes da ortopedia, já o corredor paralelo a este, e não menos lotado, abriga os outros internos das demais especialidades.

Posso dizer que a esperança em realizar a cirurgia na próxima semana ainda continua, afinal sou brasileiro, usuário e defensor do SUS, pago meus impostos e não desisto nunca!